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13 De março de 2018

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O Retrato da Alma – Pintura de Carlos Bracher

O Retrato da Alma 

É Sábado de chuva em Ouro Preto, chegamos pela praça Tiradentes e dali já se via, entre as ladeiras, pessoas caminhando com leveza, desgrudadas da vida cotidiana e tornando-se parte integrante daquele lugar.

Via-se olhares longínquos, como se debruçassem em cada detalhe da arte barroca. Nossos olhos faziam curvas que nos levavam às mais belas paisagens.

Num breve instante, eis que surge o belo casarão do único artista mineiro que sabe expor em tela, os verdadeiros olhares mineiros, Carlos Bracher.

Lentamente o grande portal de seu casarão se abre. Somos recebidos por sua gentil esposa, Fani. Subimos uma linda e extensa escada em madeira que nos levava ao segundo pavimento.

Lá, fomos recebidos por Bracher, como sempre alegre, feliz e esperançoso com a vida. Seu semblante extremamente vivaz, contagiava o ambiente. Mesmo se apoiando em muletas, após ter um de seus joelhos fissurado, permanecia com a disposição de uma criança.

Os acontecimentos

Na sala, observava-se uma antítese, o descontraído e extrovertido Carlos Bracher e eu, empresário Mineiro, Deivison Pedroza. Este conhecido como inovativo e motivado, mas naquele momento, um completo ignorante das verdadeiras lacunas mineiras.

De um lado um homem das artes e do outro um homem do ambiente empresarial. E dessa improvável conjuntura, nascia uma harmonia entre nós. Houve um misto de entusiasmo e ansiedade ao ter a minha alma pintada por ninguém menos que, o inigualável domador de telas e tinta a óleo, Carlos Bracher.

É uma honra me sentar onde grandes nomes se sentaram. Bibi Ferreira, Milton Nascimento, Chico Buarque, Peter Burke, Vinícius de Morais entre outros. Ali pude ouvir suas ideias como um espectador, num lugar privilegiado na plateia, ouvindo o seu vasto e apaixonado repertório de histórias de Minas e seus mineiros. Toda a narração só demosntrava sua experiência e sabedoria. Um homem de 77 anos, que ainda esbanja jovialidade numa alma sábia.

A imersão às artes

Não vejo a hora de darmos início a essa imersão artística. Observo de longe a tela vazia, até que suas mãos começassem a se esfregar. Ele aguardava o momento certo, para dar vida ao carvão, com o qual faz a base do meu retrato.  Envolvido pela “5ª sinfonia” de Beethoven, Carlos Bracher dá voz a sua expressão. Deixando-se transformar em um grande maestro, fazendo daquele momento um Show de movimentos vigorosos e rítmicos.

Em seguida, faz uso de suas tintas de cores fortes e vibrantes, como se capturasse a minha aura.  E na voz de um mestre, ainda recebo um grande conselho:

A vida é uma maravilha. Viver é uma arte, que moldada pelas trocas e interatividades humanas. Assim como a música, a tinta leva à nossa frente, a esperança, as alegrias e um momento de energia e mágica de todos os encontros da vida”.

Por detrás da tela, sinto o coração palpitar. Como se em breve fosse conhecer a mim mesmo. Conhecer a minha alma. Quem habita o meu corpo? O momento foi imerso à surpresa. Assim, como uma criança espera pelo pote de sorvete. De repente, deparo-me com minha alma. Ela mais jovem e, diga-se de passagem, mais bonita na tela!

O presente

No entanto, o meu maior presente nesse dia, foram os dizeres reproduzidas no verso da tela. agradecido de teremsido escritas pelas mãos do próprio Bracher. Usando um pequeno carvão,  em forma poética, profunda e profética, escreveu a verdade que tenho sobre as palavra SONHOS:

Dedicatória de Carlos Bracher a Deivison Pedroza.

Deivison, sim, eis a vida. Essa que nos toca e anuncia. Como os clarões da aurora, a possuirmos os sonhos de nossa própria história. Você é efetivamente um grande homem. E é isso que buscamos”. 

Termina assinando em nome de todos ali presentes. Sua esposa Fani, sua filha Blima, Bethoven, Keziah, minha esposa, e até a Hanna, nossa cachorrinha que foi apelidada carinhosamente de Estopa.

Pela arte, pela expressão, pelas cores fortes e incrivelmente equilibradas. Deixei Ouro Preto em estado catatônico. Momentos esses, que se eternizaram através de sabedoria e da arte. E, que conseguiram desnudar o meu espírito. Ao mesmo tempo em que esses momentos me alegram, pela catarse de espiritualidade e emoções obsessivas de um grande pintor.

Bracher, um homem apaixonado por tudo. Pelo futebol. Por Neymar. Por Messi, Garrincha. E até por Cristiano Ronaldo.  É um homem fissurado pelas histórias de Juscelino Kubitschek e pela história de Belo Horizonte. Belas histórias, experiências únicas e divinas.

Visão de Carlos Bracher

Para minha graça, ele ainda me confessa seu maior projeto. Sonha em pintar Belo Horizonte. Pintar suas histórias e seus personagens ilustres. Deseja deixar seu legado em uma grande tela e em mais 70 outros quadros.

Meus pensamentos me envolvem nessa história. Eu fico pensando, quais seriam os privilegiados a terem essas pinturas? Quem em seus ambientes? Quem as teriam como parte de sua própria paixão por Minas e por Belo Horizonte?

Apreciar a arte é fabuloso. Mas viver a experiência de estar inserido no processo criativo, de um grande artista, é algo transcendental.

Acompanhar cada movimento. Manter uma concentração mútua. Ser o elemento fundamental para a criação da obra, foi o mesmo que sentir a arte dentro de mim. Senti-me parte do meu todo. Talvez seja por isso, que Carlos Bracher diz pintar almas e não retratos.

Obrigado pela troca de experiências, Bracher!

Deivison Pedroza


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